domingo, 15 de dezembro de 2013

Dia do Arquiteto


Hoje é o Dia do Arquiteto. Quando escolhi esta profissão, a maioria das pessoas não se espantou: eu sempre fui considerada a "artista" da escola, da família, do grupo de amigos. Natural que eu optasse por uma atividade criativa.

Muitos anos depois, posso dizer que me sinto realizada. Não é fácil ser autônoma, ter uma empresa. Neste país, empreender e fazer tudo legalmente é quase um castigo. Burocracia, impostos e muito pouco em troca pela nossa retidão.

Na minha rotina algumas coisas são gostosas de fazer, outras nem tanto, mas fazem parte do processo. O balanço é sempre positivo, apesar de algumas inevitáveis dores-de-cabeça. Para mim, os maiores atrativos desta profissão são:

Gosto de trabalhar em um ambiente criativo. Minha mesa não fica em um cubículo, mas em um escritório que se abre para um jardim. Tem quadros bonitos, um armário cheio de livros, espaço para computador, para fazer esboços. Uma decoração aconchegante que eu mesma fiz, ao invés de estar em um espaço comercial e impessoal.

Tenho flexibilidade, o que me permite render mais: se um projeto não está evoluindo, se não estou conseguindo uma boa solução, tenho toda a liberdade de passar para outra pendência sem ter que pedir permissão ou me explicar para um chefe.

Lido com pessoas. Eu sei, nem todas as pessoas do mundo são agradáveis. Eu já passei por situações absurdas na minha vida profissional (e que viram histórias pitorescas mais tarde), mas é um prazer trabalhar para a imensa maioria das pessoas que entra em contato comigo. Eu trabalho muito com projetos residenciais e isso promove uma enorme ligação pessoal com o cliente.

Sempre evoluindo. Um desafio é sempre bom. Nós temos que nos esforçar mais, aprender mais e sempre ganhamos com isso. No meu dia-a-dia, um dos desafios é analisar o cliente e identificar os gostos de cada um. Tento acertar grande parte do projeto já na primeira versão do desenho, para depois fazer os ajustes. Mas meu trabalho vai bem além da estética: tenho que estar atualizada em relação aos materiais, métodos de construção, tecnologias e uma infinidade de outros assuntos.

Criatividade e expressão pessoal. É claro que eu recebo parâmetros para meu trabalho. É claro que tenho que respeitar os gostos e necessidades do cliente, mesmo que às vezes eu não concorde com tudo o que ele quer. Mesmo assim, se você passar estas mesmas diretrizes para 10 arquitetos, tenho certeza que você receberá 10 projetos completamente diferentes. É a marca de cada um.

É muito mais que um trabalho. Eu penso em arquitetura o tempo todo e acredito que o mesmo aconteça outros colegas de profissão. Não me refiro a obras famosas ou grandes construções, mas a cada detalhe de todos os lugares que vou. Entro em um lugar novo e lá estou eu analisando acabamentos, materiais, iluminação. Instantaneamente noto se alguma coisa está fora do prumo/nível/alinhamento. Ainda bem que meu marido também é arquiteto: ele não estranha quando entramos em algum lugar e de repente eu fico olhando para cima, analisando o teto.

Gosto do que faço. Isso é o mais importante. É enorme a diferença entre fazer uma coisa pelo dinheiro e pelo prazer. É a satisfação em terminar um projeto bem feito, que deixa o cliente feliz. Não sou infalível, nem a melhor arquiteta do mundo, mas me esforço e trabalho até altas horas para colocar todo o meu potencial em cada desenho. Vou ficar rica fazendo isso? Provavelmente não. Mas sem dúvida existe um sentimento de orgulho em saber que coloquei todo meu potencial em cada trabalho. Faz bem trabalhar bem.

Um ótimo domingo a todos vocês!

2 comentários:

  1. Débora,

    Parabéns um pouco atrasado pelo seu dia. Um ótimo final de de ano para você e sua família.

    Beijos
    Vitória

    ResponderExcluir
  2. Parabéns, querida! Você é um exemplo de uma excelente profissional. Adoro sempre suas dicas, seu olhar sobre as coisas, o conhecimento que compartilha tão generosamente conosco. beijos no seu coração.

    ResponderExcluir

Related Posts with Thumbnails